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Região de Terras de Santa Maria

2026/04/24

1.056 acidentes e 17 mortos em cinco anos: ruas de Azeméis concentram maioria da sinistralidade

Oliveira de Azeméis

Plano de Mobilidade revela que 76% dos acidentes ocorrem em arruamentos e que maioria das vítimas resulta de sinistros dentro das localidades. Saiba em que estradas, e as freguesias, com maior índice de sinistratlidade.

Oliveira de Azeméis registou 1.056 acidentes rodoviários entre os anos de 2017 e 2021 (período de cinco anos), dos quais resultaram 17 vítimas mortais, 60 feridos graves e 1.219 feridos leves, de acordo com os dados apresentados no Plano de Mobilidade Urbana Sustentável . A análise detalhada da sinistralidade no concelho permite traçar um retrato claro da realidade local, revelando que os acidentes não se distribuem de forma homogénea pelo território, concentrando-se sobretudo nas zonas urbanas e nas ruas do quotidiano.

Os dados mostram uma diferença significativa entre acidentes ocorridos dentro e fora das localidades. Ao longo dos cinco anos analisados, a sinistralidade urbana supera de forma consistente a registada fora dos aglomerados. O ano de 2019 destacou-se com 224 acidentes dentro das localidades, enquanto fora destas foram registados apenas 39 . Mesmo após a quebra verificada em 2020, associada à redução da mobilidade durante a pandemia, a tendência manteve-se, tendo sido registados em 2021 um total de 163 acidentes dentro das localidades contra apenas 23 fora . Este padrão leva o próprio plano a admitir que o desenho do espaço urbano poderá não estar a contribuir de forma eficaz para a redução da velocidade automóvel e para a prevenção de acidentes.

A análise por tipo de via reforça esta leitura. Entre 2017 e 2021, 76% dos acidentes ocorreram em arruamentos, enquanto 13% tiveram lugar em estradas nacionais . Isto significa que a esmagadora maioria dos sinistros acontece em ruas locais, onde coexistem diferentes utilizadores da via e onde se concentram as atividades do dia-a-dia. Nas estradas nacionais, os dados evidenciam uma concentração significativa em três eixos principais: a EN224, que liga Oliveira de Azeméis a Estarreja, com 54 acidentes, a EN227, que atravessa Nogueira do Cravo, com 48, e a EN1/IC2, com 23, representando no seu conjunto 88,7% dos acidentes registados neste tipo de via .

O padrão urbano é igualmente visível quando se analisa a gravidade dos acidentes. A maioria das vítimas resulta de sinistros ocorridos dentro das localidades, sendo que 59% das vítimas mortais, 59% dos feridos graves e 75% dos feridos leves se registam em meio urbano . Estes dados confirmam que os espaços urbanos, apesar de apresentarem velocidades médias mais baixas, continuam a concentrar o maior risco, sobretudo devido à proximidade entre veículos e utilizadores mais vulneráveis, como peões.

No que respeita à natureza dos acidentes, o plano identifica as colisões como o tipo mais frequente, muitas vezes associadas a cruzamentos, mudanças de direção e conflitos de prioridade entre veículos. Em contraste, os atropelamentos registaram uma redução global ao longo do período analisado, sendo a única tipologia de acidente que apresenta uma tendência de diminuição .

A distribuição territorial dos acidentes evidencia também fortes assimetrias dentro do concelho. A União de Freguesias de Oliveira de Azeméis concentra o maior número de sinistros, com um total de 375 acidentes ao longo dos cinco anos analisados, o que representa mais de um terço do total registado no concelho. Seguem-se a freguesia de Cucujães, com 130 acidentes, e a União de Freguesias de Pinheiro da Bemposta, Travanca e Palmaz, com 102 . Em termos anuais, o número de acidentes variou entre um máximo de 263 em 2019 e um mínimo de 165 em 2020, refletindo neste último caso o impacto das restrições à mobilidade durante a pandemia .

Perante este cenário, o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável defende a necessidade de alterações profundas na forma como o espaço público é organizado e utilizado. As medidas propostas passam pela redução de velocidades em meio urbano, pela criação de zonas de coexistência e zonas 30, pela melhoria das condições de circulação pedonal e ciclável e pela reorganização da circulação automóvel, com o objetivo de reduzir o risco de acidente e minimizar as suas consequências.

Os dados agora revelados servem também de base para uma das metas mais ambiciosas definidas pelo município: atingir zero vítimas mortais nas estradas. Ao identificar de forma clara onde ocorrem os acidentes e quais as suas principais características, o plano pretende orientar intervenções mais eficazes e direcionadas, centradas sobretudo nas zonas urbanas, onde se concentra a maior parte da sinistralidade.

A conclusão é clara: em Oliveira de Azeméis, o problema dos acidentes rodoviários está sobretudo nas ruas onde as pessoas vivem, trabalham e circulam diariamente. É nesse espaço que o município pretende intervir nos próximos anos, procurando transformar a mobilidade urbana num sistema mais seguro e adaptado às necessidades da população.

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