2026/04/24
Aquisição de espaço com 8.932 m² na Rua Conselheiro Araújo e Silva antecipa criação de estacionamento, mas solução concreta continua por definir.
A câmara municipal de Oliveira de Azeméis adquiriu, já há mais de um ano um terreno com 8.932 metros quadrados, por um valor de 550 mil euros, localizado na Rua Conselheiro Araújo e Silva, na zona de Cidacos, "vizinho" da IC2, e perto da zona de acesso a esta via, com o objetivo de ali instalar um futuro parque de estacionamento, que servirá também de aparcamento de veículos das operadoras de transporte público. Apesar do investimento já concretizado, não existe, nesta fase, qualquer projeto definido para a intervenção, nem são conhecidos o número de lugares a criar, o modelo de funcionamento ou o calendário de execução, o que já motivou criticas por parte da oposição.
A aquisição enquadra-se no Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS), documento estratégico que orienta a reorganização da mobilidade no concelho e que identifica o estacionamento como um dos principais problemas urbanos. O plano refere a necessidade de melhorar a oferta existente e criar soluções estruturadas, como bolsas e parques de estacionamento, para responder à pressão automóvel, sobretudo nas zonas mais centrais .
A localização escolhida insere-se numa área urbana onde a procura de estacionamento é elevada e onde se registam frequentemente situações de ocupação desordenada do espaço público. O documento destaca precisamente o estacionamento abusivo e ilegal como um dos fatores que condiciona a circulação, afeta a mobilidade pedonal e contribui para a degradação do espaço urbano .
Neste contexto, a criação de um parque de estacionamento surge como uma medida que poderá contribuir para retirar veículos da via pública, libertar passeios e melhorar a fluidez do trânsito. No entanto, a ausência de um projeto impede, para já, qualquer avaliação concreta sobre a eficácia da solução ou o impacto que poderá ter na organização da cidade.
O Plano de Mobilidade deixa claro que o reforço da oferta de estacionamento não constitui, por si só, uma solução estrutural, estando antes integrado numa estratégia mais ampla que visa reduzir a dependência do automóvel e promover modos de deslocação mais sustentáveis, como o transporte público, a mobilidade pedonal e a utilização da bicicleta . Nesse sentido, a criação de novos parques é entendida como uma medida complementar, associada à reorganização do espaço urbano e à melhoria das condições de circulação.
A inexistência de um projeto definido significa também que não são conhecidos custos adicionais associados à construção da infraestrutura, nem o modelo de gestão que poderá vir a ser adotado, seja de acesso livre, tarifado ou misto. Também não é possível, nesta fase, determinar de que forma o futuro parque se articulará com outras medidas previstas no plano, como a criação de zonas de estacionamento de duração limitada ou a reorganização do estacionamento residencial.
Apesar destas indefinições, a aquisição do terreno representa um dos poucos passos concretos já materializados no âmbito do Plano de Mobilidade, sinalizando uma intenção clara de intervenção numa zona considerada sensível do ponto de vista da mobilidade.
O documento estratégico estabelece um conjunto alargado de objetivos para o concelho, incluindo a melhoria da segurança rodoviária, a redução da poluição e do ruído, o reforço da acessibilidade e a promoção de uma mobilidade mais sustentável e inclusiva . No entanto, a concretização destas metas dependerá da implementação efetiva das medidas propostas, muitas das quais, como é o caso deste parque de estacionamento, permanecem ainda numa fase inicial de definição.
A evolução deste projeto será, por isso, determinante para perceber de que forma o município pretende traduzir em ações concretas as orientações do plano e responder a um dos problemas mais visíveis no quotidiano urbano: a falta de organização do estacionamento e a pressão constante sobre o espaço público.