2026/02/20
Município já terá pago perto de meio milhão de euros em juros por empréstimo de 1,2 milhões. Obra do Estádio Municipal continua por concluir.
A câmara municipal de Espinho já pagou centenas de milhares de euros em juros por um empréstimo contraído para a construção do Estádio Municipal, uma obra que está parada desde 2019 e sem data concreta de conclusão.
O tema foi levantado durante a última sessão da Assembleia Municipal de Espinho, onde foi revelado que o município tem um empréstimo de cerca de 1,27 milhões de euros, com uma taxa de juro de 4,58%, o que representa um encargo anual estimado entre 60 mil e 70 mil euros apenas em juros.
Considerando que a obra está parada há cerca de sete anos, o valor pago em juros poderá já aproximar-se dos 450 mil euros, sem que o estádio esteja concluído ou em funcionamento.
A situação foi descrita por um deputado municipal como particularmente preocupante, questionando “porque é que a câmara continua a pagar 60 a 70 mil euros por ano de juros de um projeto que não está a ser executado”.
O Estádio Municipal apresenta atualmente uma execução de apenas cerca de 13%, apesar do financiamento já contratado.
O pagamento destes juros surge numa altura em que o município enfrenta limitações financeiras e depende fortemente de financiamento externo para executar investimentos.
Os cerca de 70 mil euros anuais pagos pelo empréstimo correspondem, por exemplo, ao custo de várias pequenas obras urbanas ou a uma parcela relevante das despesas com serviços municipais.
Além disso, o município não está ainda a beneficiar da infraestrutura, uma vez que o estádio permanece inutilizado.
Durante a sessão, o presidente da câmara, Jorge Ratola, garantiu que a conclusão do Estádio Municipal é uma das prioridades do atual mandato, estando prevista a retoma do projeto no âmbito do orçamento municipal para 2026.
O objetivo, segundo o executivo, é recuperar um investimento que se arrasta há vários anos e permitir finalmente a utilização da infraestrutura por clubes e pela comunidade, incluindo o Sporting Clube de Espinho.
A construção do estádio tem sido marcada por sucessivos atrasos e interrupções desde o início das obras, tornando-se um dos projetos municipais mais prolongados e dispendiosos dos últimos anos.
Enquanto a obra não avança, o município continua a suportar os custos financeiros do empréstimo, sem retorno direto para a população.
A conclusão do estádio é agora vista como essencial para evitar que o investimento continue a gerar apenas encargos, sem benefícios públicos.