2026/06/08
Contas de 2025 do município de Vale de Cambra apresentam um prejuízo superior a 4,5 milhões de euros, e foram aprovadas por maioria, com abstenção do PSD, que questionou a sustentabilidade da despesa municipal.
A Câmara Municipal de Vale de Cambra aprovou, por maioria, o Relatório e Contas de 2025, que apresenta um resultado líquido negativo de mais de 4,5 milhões de euros (4.676.365,13 euros). O documento segue agora para apreciação e aprovação da Assembleia Municipal, depois de ter recebido a abstenção da bancada do PPD/PSD na reunião ordinária do executivo realizada a 7 de abril.
De acordo com a informação apresentada na reunião, o resultado negativo será transferido para a conta de resultados transitados. Apesar do valor negativo, o executivo municipal destacou que a receita teve uma execução superior a 91%, que o município encerrou o exercício com disponibilidade superior a oito milhões de euros e que foram cumpridos os limites legais de endividamento.
O presidente da autarquia valecambrense, André Martins da Silva, sublinhou ainda que o ativo municipal aumentou mais de 6,7 milhões de euros face ao exercício anterior. Segundo a autarquia, esta evolução ficou associada, em parte, à valorização contabilística de infraestruturas das redes de abastecimento de água e saneamento básico, que até então não estavam reconhecidas no património municipal.
No debate, o vereador Miguel Aguiar Soares, do PPD/PSD, manifestou preocupação com várias rubricas das contas, nomeadamente com o volume de contratos de prestação de serviços, as sucessivas alterações orçamentais e os encargos associados à água, saneamento e recolha de resíduos urbanos. O autarca questionou ainda a sustentabilidade futura da despesa municipal, considerando que algumas opções do executivo exigem maior ponderação.
Também a vereadora Mafalda Sofia Ferreira, do PPD/PSD, levantou dúvidas sobre os encargos com cultura, desporto e eventos, defendendo que, embora estas áreas tenham importância para o concelho, é necessário perceber se o município terá capacidade para manter o mesmo nível de investimento nos próximos anos.
Em resposta, o presidente da câmara municipal defendeu que o investimento em áreas como cultura, desporto, educação e ação social não deve ser visto apenas como despesa, mas como uma aposta na qualidade de vida, na coesão social e na valorização do território. André Agostinho Martins da Silva reconheceu, ainda assim, que é necessário garantir sustentabilidade financeira, aumentando receita ou reduzindo despesa quando tal se revele necessário.
A votação final do Relatório e Contas de 2025 registou a aprovação da maioria, com abstenção dos vereadores do PPD/PSD. Para o executivo, os documentos demonstram uma gestão equilibrada, com disponibilidade financeira e cumprimento dos limites legais. Para a oposição, o resultado negativo e a evolução da despesa deixam sinais de alerta sobre a capacidade futura do município para suportar o atual nível de investimento.