2026/08/11
Os centristas consideram que o novo modelo pode reforçar a capacidade de resposta do Hospital, mas exige transparência, fiscalização e avaliação regular dos resultados.
O CDS-PP de São João da Madeira, parceiro de coligação do novo executivo autárquico liderado por João Oliveira, considera positiva a transferência da gestão do Hospital de São João da Madeira para a Santa Casa da Misericórdia, defendendo que a mudança pode reforçar a capacidade de resposta da unidade, desde que seja acompanhada por mecanismos de fiscalização, transparência e avaliação regular dos resultados.
Em resposta a um conjunto de questões sobre o novo modelo de gestão enviada pelo REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA, a concelhia do partido, liderada por Amilcar Reis, sublinha que o Hospital continuará integrado no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e rejeita a ideia de que esteja em causa uma privatização da unidade.
Para o CDS-PP, a questão central não está na natureza da entidade gestora, mas na capacidade do modelo para responder às necessidades dos utentes, dos profissionais de saúde e da população.
O partido destaca ainda a ligação histórica entre a Santa Casa da Misericórdia e o Hospital de São João da Madeira, recordando que a instituição esteve ligada à criação e gestão das primeiras estruturas hospitalares do concelho.
Segundo a posição liderada por Amílcar Reis, presidente da concelhia do CDS-PP, a proximidade da Misericórdia ao território poderá permitir uma gestão “mais ágil e ajustada à realidade local”.
O acordo prevê, no primeiro ano, cerca de 50 mil consultas, quatro mil cirurgias de ambulatório, 591 internamentos cirúrgicos e até 37 mil episódios no Serviço de Urgência Básica.
Para o CDS-PP, estes números só terão significado se se traduzirem numa melhoria concreta para os utentes, nomeadamente através da redução dos tempos de espera, do aumento do acesso a consultas, cirurgias e meios de diagnóstico e de uma maior capacidade de resposta da urgência.
O partido defende que a execução do novo modelo seja avaliada através de indicadores como tempos de espera, atividade realizada, qualidade dos cuidados, satisfação dos utentes e capacidade de atração e retenção de profissionais.
Relativamente à contrapartida de 13,85 milhões de euros prevista para o primeiro ano e à duração inicial de dez anos do contrato, o CDS-PP salienta que o montante corresponde à prestação de cuidados de saúde contratualizados no âmbito do SNS e não a um financiamento sem contrapartidas.
A concelhia considera que um contrato de longa duração pode trazer estabilidade e facilitar o planeamento de investimentos, equipamentos e recursos humanos, mas alerta que essa estabilidade não pode significar menor escrutínio.
Nesse sentido, defende a divulgação periódica da atividade realizada, do cumprimento das metas, dos tempos de resposta, dos indicadores de qualidade, da satisfação dos utentes e da execução financeira do contrato.
“Quanto maior for o compromisso de recursos públicos, maior deve ser a transparência sobre os resultados obtidos”, sustenta o CDS-PP.
A situação dos profissionais de saúde e restantes trabalhadores é apontada como uma das prioridades na transição de gestão.
O CDS-PP defende que sejam asseguradas condições claras relativamente aos vínculos laborais, direitos adquiridos, antiguidade e condições de trabalho, bem como informação atempada sobre as alterações resultantes do novo modelo.
O partido considera igualmente essencial garantir capacidade para reter profissionais, contratar novos trabalhadores quando necessário e promover a formação e diferenciação das equipas.
Sobre a exclusão da atividade oncológica, o CDS-PP considera que a questão não está diretamente relacionada com a transferência da gestão para a Misericórdia.
Segundo o partido, a atividade oncológica instalada em São João da Madeira teve um caráter temporário, enquanto decorriam obras de modernização e reequipamento no Hospital da Feira.
Por esse motivo, a concelhia considera natural o regresso dessa atividade a Santa Maria da Feira Feira, desde que estejam garantidas as condições de qualidade e continuidade dos cuidados.
Para São João da Madeira, o CDS-PP defende antes o reforço de áreas como consultas de especialidade, cirurgia de ambulatório, meios complementares de diagnóstico e terapêutica, internamento cirúrgico e Serviço de Urgência Básica.
O partido destaca ainda a previsão de 591 internamentos cirúrgicos como uma evolução relevante na capacidade assistencial do Hospital.
O CDS-PP acredita que o reforço do Hospital de São João da Madeira poderá também beneficiar os restantes concelhos abrangidos pela ULS de Entre Douro e Vouga, contribuindo para descongestionar outras unidades e melhorar a distribuição da atividade hospitalar na região.
A concelhia defende uma lógica de complementaridade entre hospitais, evitando sobreposição de valências e procurando utilizar de forma mais eficiente os recursos disponíveis.
Em síntese, o CDS-PP apresenta a transferência da gestão como uma oportunidade para reforçar o Hospital, mas avisa que o apoio ao novo modelo depende dos resultados alcançados.
“Mais consultas, menos tempos de espera, mais cirurgias, melhor diagnóstico, uma urgência com capacidade de resposta, profissionais valorizados e utentes satisfeitos serão os verdadeiros indicadores de sucesso”, afirma o partido.