2026/04/21
Exclusão do Auditório de Espinho do apoio da DGArtes gera polémica. CDU foca o facto desta realidade acontecer num momento em que é um espinhense a liderar o Governo.
A exclusão do Auditório de Espinho do financiamento da Direção-Geral das Artes continua a marcar a atualidade política local, tendo motivado um debate intenso e até troca de acusações na última sessão da Assembleia Municipal.
O equipamento, gerido pela Academia de Música de Espinho, ficou fora da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses, decisão que gerou forte contestação e uniu praticamente todas as forças políticas locais.
PSD, PS, Iniciativa Liberal, Chega e o movimento independente MMC apresentaram uma moção conjunta, aprovada por unanimidade, onde classificam a decisão como injusta e contraditória face ao percurso do auditório. O documento exige a reavaliação da candidatura e reforça a importância do espaço como referência cultural nacional e internacional, bem como o seu impacto na economia local.
A polémica subiu de tom quando a CDU introduziu uma crítica direta ao contexto político nacional, referindo que o corte ocorre num momento em que o país é liderado por um espinhense, numa alusão ao Primeiro-Ministro Luís Montenegro. Na intervenção, foi sugerido que a proximidade política, frequentemente destacada em contexto eleitoral, não se traduziu em benefícios concretos para o concelho, nomeadamente no apoio à cultura. A crítica enquadrou o caso como reflexo de uma política nacional de subfinanciamento da cultura, defendendo maior investimento público no setor.
As restantes forças políticas reagiram à acusação, rejeitando a leitura apresentada pela CDU e considerando inadequado associar diretamente o caso ao Primeiro-Ministro ou ao Governo. Vários deputados sublinharam que a decisão resulta de um processo de avaliação técnica conduzido pela Direção-Geral das Artes, criticando aquilo que classificaram como uma politização excessiva do tema. Defenderam ainda que o foco deve estar na contestação dos critérios de avaliação e na defesa concreta do auditório.
Apesar das diferenças de interpretação, houve consenso num ponto essencial: todos os partidos manifestaram apoio à continuidade e valorização do Auditório de Espinho. A moção conjunta marcou o tom institucional da resposta política, enquanto a moção apresentada pela CDU, também aprovada mas com várias abstenções, evidenciou a divisão ideológica quanto ao enquadramento do problema.
Para além da dimensão cultural, vários intervenientes alertaram para o impacto económico da decisão, lembrando que o auditório atrai público de fora do concelho, dinamiza o comércio e a restauração e contribui para a projeção externa de Espinho.
Com a aprovação das moções, a Assembleia Municipal enviou um sinal claro ao Governo e às entidades competentes, reforçando a pressão para que a decisão seja revista. O caso do Auditório de Espinho passa assim de um processo técnico para um dossier político sensível, onde se cruzam cultura, financiamento público e expectativas locais, num momento em que Luís Montenegro lidera o Governo.