2026/10/07
Dados apresentados na reunião de Câmara apontam para um aumento de 30% da criminalidade entre janeiro e agosto. Município confirma pedido de reforço de efetivos da PSP e prevê avançar com videovigilância entre o final de 2026 e o início de 2027.
Os dados apresentados na reunião de Câmara apontam para um aumento de 30% da criminalidade geral em São João da Madeira entre janeiro e agosto deste ano. O presidente da autarquia confirmou que o Município está a procurar um reforço de efetivos da PSP e revelou que o sistema de videovigilância deverá avançar entre o final de 2026 e o início de 2027.
A criminalidade geral em São João da Madeira terá aumentado 30% entre janeiro e agosto de 2026, comparativamente com o mesmo período do ano passado. O dado foi levado esta terça-feira à reunião pública do executivo municipal pela vereadora socialista Paula Gaio, que citou informação do Comando Distrital de Aveiro da PSP.
Os números levaram o PS a questionar o presidente da Câmara sobre as medidas previstas para responder à evolução da criminalidade, nomeadamente o reforço de agentes da PSP e a instalação do sistema de videovigilância anunciado para a cidade.
O contexto distrital também mostra uma evolução em alta. O Relatório Anual de Segurança Interna de 2025 registou no distrito de Aveiro 20.120 participações, contra 19.689 em 2024, correspondendo a um crescimento de 2,2% da criminalidade geral. Já a criminalidade violenta passou de 487 para 525 ocorrências, uma subida de 7,8%.
Perante os números, Paula Gaio questionou diretamente o executivo sobre se já tinha solicitado ao Governo um reforço policial para São João da Madeira.
"Tendo em conta estes factos preocupantes, pretendemos questionar o Sr. Presidente se já pediu um reforço em relação a São João da Madeira ao Sr. Ministro da Administração Interna. Se não o fez, os vereadores do Partido Socialista entendem que está na hora de o fazer", afirmou.
Na resposta, o presidente da Câmara confirmou que o Município está a trabalhar nesse sentido, em articulação com o responsável local da PSP.
"Estamos a solicitar aumento de efetivos", afirmou, embora ressalvando que ainda não existe garantia de que o reforço venha a concretizar-se. O autarca reconheceu igualmente as dificuldades existentes ao nível do número de agentes disponíveis e afirmou que a autarquia está a tentar reforçar os argumentos para captar mais polícias para a cidade.
Um desses argumentos é a requalificação da esquadra da PSP. Segundo o presidente, o projeto inicialmente previsto foi alargado para abranger não apenas a esquadra, mas também a componente social e os apartamentos existentes no complexo.
A intenção é criar melhores condições para os profissionais que possam vir a ficar colocados em São João da Madeira.
"Estamos aqui a fazer um esforço para dar as melhores condições para a PSP, mas também precisamos agora, com uma casa nova, com condições para ter aqui os polícias residentes, que seja reforçado esse quadro", explicou.
O presidente reconheceu ainda expressamente a evolução registada nos indicadores: "Nós temos a noção do aumento de criminalidade, é um facto".
Outra das respostas do Município passa pela videovigilância. Questionado sobre o ponto de situação do projeto, o presidente revelou que o procedimento está a avançar e apontou a sua implementação para o final deste ano ou o início de 2027, caso o processo decorra dentro do previsto.
"O concurso de videovigilância já está em curso» e deverá ser aberto 'a curto prazo'", afirmou, acrescentando que o objetivo é que o sistema contribua para aumentar a sensação de segurança e funcione como instrumento de apoio à PSP na prevenção da criminalidade.
O autarca manifestou ainda a expectativa de que a presença das câmaras tenha um efeito dissuasor sobre comportamentos criminosos.
A discussão surgiu também na sequência de uma notícia sobre uma arma de fogo alegadamente exibida durante desacatos no centro da cidade, situação que levou os vereadores socialistas a voltar a colocar a segurança urbana na agenda política municipal.
Os dados de 2025 mostram, contudo, que São João da Madeira partiu de um volume absoluto de criminalidade inferior ao de vários concelhos vizinhos. O RASI contabilizou 674 participações no concelho em 2025, contra 1.107 em Espinho, 1.427 em Oliveira de Azeméis e 3.135 em Santa Maria da Feira.
A subida de 30% registada entre janeiro e agosto de 2026, apresentada na reunião municipal, não consta ainda do RASI — que se refere ao ano de 2025 — e foi citada pelo PS a partir de dados atribuídos ao Comando Distrital de Aveiro da PSP.