2026/08/24
CHEGA de Oliveira de Azeméis está sem Comissão Política Concelhia formalmente nomeada, num contexto de divergências internas na estrutura distrital de Aveiro.
A Comissão Política Concelhia (CPC) do CHEGA em Oliveira de Azeméis encontra-se atualmente sem direção formal, na sequência das eleições realizadas para a Comissão Política Distrital de Aveiro, a 28 de junho. Até ao momento, a nova estrutura concelhia ainda não foi nomeada, deixando o partido no concelho numa situação de vazio diretivo.
As comissões políticas concelhias cessaram funções com o processo eleitoral distrital, cabendo agora à Comissão Política Distrital eleita proceder à nomeação das novas estruturas locais, mediante o aval da Direção Nacional do partido.
Em Oliveira de Azeméis, essa nomeação ainda não aconteceu. A própria Distrital de Aveiro confirmou que a CPC oliveirense “ainda não se encontra formalmente nomeada”, indicando que, de forma temporária, a coordenação da concelhia permanece “a nomear”.
A situação surge num contexto de divergências políticas entre o presidente da Comissão Política Distrital de Aveiro, Pedro Alves, e anterior responsável da estrutura concelhia de Oliveira de Azeméis, Manuel Almeida, que apresentou candidatura à liderança da distrital nas últimas eleições internas do partido.
Manuel Almeida não acredita que venha a ser novamente escolhido para liderar a concelhia pelo atul líder da distrital. “Por divergências entre mim e o presidente da CPD, acredito que não seja nomeado, mas a Direção Nacional tem aí uma palavra a dizer”, afirmou.
Apesar da ausência de uma direção concelhia formal, a atividade política do CHEGA em Oliveira de Azeméis não está totalmente suspensa. Segundo Manuel Almeida, os sete autarcas eleitos pelo partido no concelho mantêm-se focados nos mandatos resultantes das eleições autárquicas de 2025 e estão a assumir a organização de iniciativas locais.
É nesse contexto que está previsto para 5 de setembro um evento organizado pelos sete autarcas eleitos no concelho, uma vez que esta, neste momento, não existe enquanto órgão nomeado.
Enquanto não for constituída uma nova CPC, a Comissão Política Distrital de Aveiro determinou que os contactos institucionais relativos ao partido no concelho sejam centralizados na estrutura distrital.
Na comunicação enviada aos órgãos de comunicação social, a Distrital é taxativa quanto à representação institucional: qualquer outro endereço eletrónico que se apresente como representativo do partido em Oliveira de Azeméis não deve ser considerado oficial enquanto não houver nova indicação.
A inexistência de uma CPC não significa, contudo, que Oliveira de Azeméis tenha de permanecer sem direção até às próximas eleições distritais, previstas para 2029.
A atual Comissão Política Distrital tem legitimidade para propor uma nova estrutura concelhia durante o mandato. Segundo Manuel Almeida, essa decisão terá, porém, de receber o aval da Direção Nacional do CHEGA.
O anterior dirigente deixou também em aberto uma eventual recandidatura futura, afirmando ainda não ter decidido se pretende voltar a assumir responsabilidades na estrutura local.
Entretanto, as atenções do partido estão também viradas para a Convenção Nacional prevista para o final do ano. Entre as alterações estatutárias que poderão vir a ser discutidas está uma eventual mudança no modelo de escolha das estruturas concelhias.
Uma das hipóteses passa por as CPC deixarem de ser nomeadas pelas comissões políticas distritais e passarem a ser eleitas diretamente pelos militantes de cada concelho.
Caso essa alteração seja aprovada, poderá mudar de forma significativa o equilíbrio de poder entre as estruturas distritais e concelhias do CHEGA e alterar o processo de constituição da futura direção do partido em Oliveira de Azeméis.
Até lá, a estrutura oliveirense permanece sem Comissão Política Concelhia formalmente constituída, com a representação institucional assegurada provisoriamente pela Distrital de Aveiro e a intervenção política local a ser desenvolvida, sobretudo, pelos autarcas eleitos em 2025.