2026/03/16
Empresa responsável pela distribruilção cumpriu apenas 18% do contrato e fornecimento só ficou regularizado em fevereiro. Lactogal é o novo fornecedor.
O fornecimento de leite escolar nas escolas do concelho de Santa Maria da Feira esteve marcado por vários meses de falhas e dificuldades logísticas, depois de a empresa inicialmente responsável pelo contrato não ter conseguido garantir a distribuição regular do produto. O caso acabou por levar a câmara municipal a aplicar uma coima de 25 mil euros por incumprimento contratual e a substituir o fornecedor.
A situação foi esclarecida na reunião ordinária do executivo municipal realizada a 23 de fevereiro de 2026, depois de um vereador ter pedido explicações sobre problemas que, segundo relatos, se prolongaram durante vários meses nas escolas do concelho.
Segundo explicou a vereadora responsável pelo pelouro da Administração, Finanças e Modernização Administrativa, Sónia Azevedo, a autarquia lançou um concurso público para aquisição de leite escolar antes do início do ano letivo, tendo o contrato sido celebrado no início de setembro.
A empresa vencedora iniciou o fornecimento às escolas, mas rapidamente começaram a surgir dificuldades no abastecimento, que afetaram vários agrupamentos escolares.
De acordo com os dados apresentados na reunião, o fornecedor inicial conseguiu executar apenas cerca de 18% do contrato previsto, ficando muito aquém das obrigações assumidas com o município.
Perante os primeiros sinais de incumprimento, a Câmara notificou formalmente a empresa ainda durante o mês de outubro, exigindo a normalização da distribuição de leite às escolas.
A empresa terá garantido que resolveria os problemas até 30 de outubro, compromisso que acabou por não ser cumprido.
Com as falhas a prolongarem-se, o município decidiu aplicar uma penalização financeira de 25 mil euros, prevista nas cláusulas contratuais em caso de incumprimento.
Em paralelo, a Câmara ponderou revogar o contrato e lançar um novo concurso público, uma solução que poderia garantir um novo fornecedor, mas que implicaria um processo administrativo mais longo e potencialmente mais meses de atraso no abastecimento.
Para evitar novos atrasos, a autarquia optou por uma solução alternativa prevista no próprio concurso público: a cedência da posição contratual ao segundo classificado do procedimento.
Assim, a empresa Lactogal assumiu o contrato pelo mesmo valor inicialmente adjudicado, passando a garantir o fornecimento de leite às escolas do concelho.
A mudança foi formalizada no início de fevereiro e os agrupamentos escolares foram informados da alteração no dia 12 de fevereiro de 2026.
Segundo a informação apresentada na reunião, o fornecimento terá ficado regularizado a partir de 20 de fevereiro.
Durante o debate na reunião da Câmara, foi levantada a questão de saber se os alunos ficaram sem leite escolar durante o período em que o contrato esteve comprometido.
A vereadora Sónia Azevedo admitiu que ocorreram falhas pontuais na distribuição entre outubro e fevereiro, embora tenha garantido que a autarquia procurou minimizar os impactos.
Para compensar as dificuldades de abastecimento, as escolas terão recebido outros alimentos alternativos, numa tentativa de garantir que os programas de apoio alimentar continuassem a funcionar.
O caso levanta também questões sobre a capacidade de execução do fornecedor inicialmente selecionado no concurso público.
Apesar de a câmara ter lançado o procedimento antes do início do ano letivo, o incumprimento acabou por prolongar-se durante vários meses até que fosse encontrada uma solução definitiva.
A autarquia defende que atuou dentro dos limites legais dos contratos públicos, sublinhando que a substituição de fornecedores exige procedimentos administrativos formais e não pode ser feita de forma imediata.
O fornecimento de leite escolar integra os programas alimentares destinados aos alunos das escolas do concelho, com o objetivo de promover hábitos alimentares equilibrados e garantir o acesso regular a produtos lácteos.
Com a entrada da Lactogal no contrato, a câmara municipal assegura que o abastecimento voltou à normalidade e que as escolas estão novamente a receber o produto de forma regular.
Ainda assim, o episódio deixou marcas e gerou críticas na reunião do executivo municipal, sobretudo devido ao facto de o problema se ter prolongado durante vários meses antes de ser resolvido.