2026/11/04
Incêndio nas piscinas de São João da Madeira causa prejuízos superiores a um milhão de euros. Câmara admite que não há alternativas para todos os utentes.
A casa das máquinas ficou completamente destruída e a recuperação das piscinas municipais poderá ser demorada. Câmara já recebeu equipamentos para repor a água quente no Pavilhão Paulo Pinto, mas admite que não conseguirá encontrar alternativas para todos os praticantes de natação.
O incêndio que atingiu as piscinas municipais de São João da Madeira, na madrugada de 29 de outubro, provocou danos cuja reparação deverá custar mais de um milhão de euros. A estimativa foi avançada pelo presidente da Câmara Municipal, João Oliveira, na reunião do executivo de terça-feira, 3 de novembro, durante a qual reconheceu que a recuperação do equipamento não será rápida e admitiu dificuldades em garantir alternativas para todos os utilizadores da piscina interior.
O fogo, que não provocou feridos, atingiu a casa das máquinas e destruiu completamente os equipamentos da zona técnica. As chamas afetaram também o Pavilhão Paulo Pinto, provocando danos nas caixilharias, nos vidros e em parte da cobertura. O sistema de aquecimento de água dos balneários ficou igualmente inutilizado.
"É uma situação, é um imprevisto, que não é de resolução rápida", reconheceu o presidente da Câmara, adiantando que, entre a substituição dos equipamentos técnicos e os trabalhos de construção civil, os encargos deverão ultrapassar um milhão de euros.
A dimensão definitiva dos prejuízos ainda está a ser avaliada. A PSP e a Polícia Judiciária estiveram no local para averiguar as circunstâncias do incêndio, enquanto a autarquia aguarda a avaliação técnica da companhia de seguros para avançar com a recuperação das instalações.
Apesar da gravidade dos danos, a Câmara já iniciou algumas intervenções. No próprio dia da reunião, chegaram as bombas de calor destinadas a restabelecer o fornecimento de água quente ao Pavilhão Paulo Pinto. Foi igualmente demolida uma estrutura da zona técnica que apresentava risco na sequência do incêndio.
A Proteção Civil considerou que o pavilhão reúne condições para a prática desportiva, desde que sejam salvaguardadas as áreas afetadas. O principal obstáculo ao regresso da atividade normal está relacionado com o funcionamento dos balneários.
Mais complicada será a situação da piscina interior, cujo encerramento está a afetar os praticantes de natação, os clubes e as atividades escolares.
A Câmara Municipal de Santa Maria da Feira já manifestou disponibilidade para colaborar na procura de soluções. O município está igualmente a estabelecer contactos com outros equipamentos, nomeadamente o Ginásio Físico, o Seven, o Hotel Meliá e o Clube Desportivo Feirense, para tentar assegurar a continuidade das atividades.
Contudo, a capacidade disponível nestas instalações é limitada e alguns dos espaços têm piscinas de menores dimensões, além de atividades previamente programadas.
"Não vamos conseguir arranjar a solução para todos, porque os equipamentos têm limitações", admitiu um responsável do executivo municipal durante a reunião.
A autarquia admite, por isso, que seja necessário reorganizar horários, reduzir a frequência de algumas aulas e adaptar os grupos de praticantes. O objetivo é evitar uma interrupção prolongada da atividade, embora ainda não exista uma solução definitiva para os diferentes utilizadores.
O presidente da Câmara explicou que a recuperação das piscinas dependerá também dos procedimentos da seguradora, sendo necessário concluir a avaliação dos danos antes de determinar os trabalhos a realizar e o respetivo calendário.
Não foi anunciada qualquer data para a reabertura da piscina interior.
A situação motivou uma intervenção do vereador socialista José Fonseca, que manifestou preocupação com os efeitos do encerramento sobre os clubes e os restantes utilizadores.
O eleito recordou que, em situações anteriores de interrupção do funcionamento das piscinas municipais, foram procuradas alternativas em concelhos vizinhos, nomeadamente em Arouca, Oliveira de Azeméis e Santa Maria da Feira.
José Fonseca defendeu que a resposta deverá envolver o maior número possível de equipamentos disponíveis, incluindo instalações privadas, para minimizar as consequências sobre a atividade desportiva.
O vereador reconheceu, contudo, que a dimensão dos danos agora registados torna a situação particularmente difícil e poderá obrigar a um período de recuperação prolongado.
"Sabemos que isto vai demorar muito tempo, não temos dúvidas nenhumas, mas estamos disponíveis para ajudar a acelerar procedimentos no que for preciso", afirmou, colocando o Partido Socialista à disposição do executivo para colaborar na resolução do problema.
O incêndio agravou as dificuldades que o município já enfrentava na gestão dos equipamentos desportivos. O Pavilhão das Travessas encontra-se em requalificação, numa empreitada de cerca de 1,3 milhões de euros, situação que tem obrigado alguns clubes a utilizar instalações fora de São João da Madeira.
Durante a apresentação do balanço do primeiro ano de mandato, o presidente da Câmara reconheceu que os encerramentos de equipamentos municipais têm condicionado a atividade desportiva e representam dificuldades acrescidas para o executivo.
A situação das piscinas acabou ainda por dar origem a uma troca de argumentos entre a maioria e o PS sobre decisões de mandatos anteriores. O presidente referiu a existência de oportunidades de financiamento que não foram aproveitadas no passado para a intervenção nas piscinas, considerando que o complexo poderia já ter sido requalificado.
A oposição fez questão de esclarecer que a situação invocada não ocorreu durante os oito anos do executivo socialista liderado por Jorge Sequeira, defendendo que não foram perdidos financiamentos nesse período.
Enquanto prosseguem as avaliações técnicas e os contactos para encontrar alternativas, o futuro imediato da piscina interior permanece incerto, com uma intervenção estimada em mais de um milhão de euros e sem um calendário definido para o regresso à normalidade.