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Região de Terras de Santa Maria

2026/09/29

Linha do Vouga. Solução tipo “metro de superfície” em estudo para ligar Oliveira de Azeméis a Espinho

Santa Maria da Feira Oliveira de Azeméis Espinho São João da Madeira

Durante muito tempo se discutiu qual a melhor opção para a Linha do Vouga: bitola ibérica ou europeia. Agora, o sistema BRT — Bus Rapid Transit também entrou na equação.

Uma solução BRT — sistema de transporte rápido por autocarro com características próximas de um metro de superfície sobre pneus — está a ser estudada para o corredor da Linha do Vouga, com passagem por Santa Maria da Feira e ligação a Espinho. A alternativa é a reativação ferroviária da linha em bitola ibérica. A Área Metropolitana do Porto confirma que os estudos estão em curso, mas sublinha que ainda não existe uma decisão sobre o modelo a adotar.

Os concelhos das Terras de Santa Maria atravaessados pela Linha do Vouga a poderão vir a ser servidos por uma solução de transporte público de alta capacidade ao longo do atual corredor da Linha do Vouga. Entre as alternativas em estudo está um BRT — Bus Rapid Transit, um sistema de autocarros rápidos que pode operar em corredores próprios e que, pelas suas características de funcionamento, se aproxima do conceito de um metro de superfície sobre pneus.

A novidade foi revelada durante a audição dos responsáveis da Área Metropolitana do Porto (AMP) e dos Transportes Metropolitanos do Porto (TMP) na Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira, numa sessão em que o futuro da mobilidade no eixo sul metropolitano esteve em destaque.

A discussão partiu de uma questão colocada pela Iniciativa Liberal sobre o horizonte dos próximos 15 a 20 anos e sobre a possibilidade de Santa Maria da Feira deixar de estar essencialmente dependente dos transportes rodoviários. A deputada municipal questionou diretamente se estava a ser estudada uma solução de transporte público de alta capacidade para o sul da Área Metropolitana do Porto.

Duas soluções em estudo para o corredor da Linha do Vouga

Na resposta, foi confirmado que existem estudos sobre duas soluções distintas para o corredor da Linha do Vouga: a recuperação do transporte ferroviário convencional ou a implementação de um BRT.

“Há uma série de estudos que estão a ser feitos, seja para reativar a Linha do Vouga em bitola ibérica, seja um projeto de BRT que vai ligar Oliveira de Azeméis-Espinho, passando também aqui pela Feira", afirmou. 

A declaração coloca Santa Maria da Feira diretamente no traçado de uma eventual nova solução de transporte rápido entre Oliveira de Azeméis e Espinho. Estão a ser estudadas uma solução ferroviária e uma solução BRT para o corredor da Linha do Vouga, atravessando Santa Maria da Feira e permitindo chegar a Espinho.

“Não existe ainda uma solução”

Apesar de confirmar os estudos, o responsável metropolitano deixou claro que não existe ainda uma decisão final sobre qual das alternativas será concretizada.

“Esses estudos estão a ser feitos. Não existe ainda uma solução", afirmou. 

O tema, acrescentou, já está a ser discutido com os autarcas e foi objeto de conversações com o Executivo da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira.

Projeto considerado decisivo para o sul da Área Metropolitana

Durante a audição, a eventual recuperação deste corredor foi apresentada como uma das intervenções com maior impacto potencial na mobilidade do sul da Área Metropolitana do Porto.

O responsável foi particularmente expressivo ao afirmar:“Se me perguntarem qual é o projeto mais importante e impactante no sul da Área Metropolitana é exatamente a ativação desta linha.”

Essa ativação poderia acontecer, explicou, através do “modo pesado de comboio em bitola ibérica” ou através de um BRT. A afirmação ganha relevância para Santa Maria da Feira devido à diferença reconhecida entre a oferta de transportes existente a norte e a sul da Área Metropolitana do Porto.

Na própria intervenção foi reconhecido que o sul metropolitano tem “menos redes e menos alternativas” do que o norte.

Objetivo é levar passageiros à Linha do Norte

A solução em estudo não pretende necessariamente criar uma ligação direta através deste corredor até ao centro do Porto.

A lógica apresentada passa por criar uma rede em que os sistemas rodoviários transportem passageiros até aos principais eixos de transporte pesado — comboio ou metro — que depois asseguram a entrada no centro do Porto.

No caso concreto da Feira, o BRT permitiria encaminhar passageiros até à Linha do Norte, em Espinho, onde poderiam prosseguir a viagem por comboio e aceder posteriormente ao Metro do Porto ou seguir diretamente para a cidade.

O responsável explicou que a solução BRT permitiria “transportar as pessoas [...] para o comboio da Linha do Norte”, que depois asseguraria as ligações “seja para o metro, seja diretamente para a cidade do Porto”.

O que é um BRT?

BRT é a sigla inglesa para Bus Rapid Transit. Trata-se de um sistema de transporte coletivo baseado em autocarros, mas pensado para oferecer níveis de rapidez e regularidade superiores aos de uma linha convencional.

Dependendo da configuração escolhida, um BRT pode recorrer a vias ou corredores reservados, estações próprias, prioridade nos cruzamentos, elevada frequência e veículos de maior capacidade.

É por estas características que sistemas deste género são frequentemente comparados a um “metro de superfície sobre pneus”. A designação, contudo, é uma forma simplificada de explicar o conceito: tecnicamente, o sistema mencionado na Assembleia Municipal foi um BRT, e não uma extensão formal da rede do Metro do Porto.

A própria intervenção distingue os dois conceitos ao falar no BRT como forma de levar os passageiros à Linha do Norte e, posteriormente, ao Metro do Porto.

Feira procura alternativa à dependência do autocarro

A discussão surgiu precisamente devido à dependência de Santa Maria da Feira do transporte rodoviário.

Na Assembleia, o Partido Socialista chamou também a atenção para a situação do sul da Área Metropolitana, referindo que esta zona não dispõe da mesma oferta de metro que outros territórios metropolitanos e está fortemente dependente dos autocarros e do comboio.

O debate ocorreu num contexto de críticas à atual operação da rede UNIR, incluindo atrasos, supressões, redução de frequências durante as férias escolares, falta de cobertura de algumas freguesias e dificuldades na informação prestada aos passageiros.

Horizonte apontado é de 15 a 20 anos

A discussão sobre o corredor da Linha do Vouga surgiu em resposta a uma pergunta formulada precisamente com um horizonte de 15 a 20 anos.

Na resposta, o responsável metropolitano manifestou a expectativa de que, nesse horizonte temporal, a linha possa estar novamente ativa através de uma das soluções atualmente estudadas. “Daqui a 15 ou 20 anos, respondendo diretamente, a esperança que eu tenho é que essa linha seja ativada". 

A concretização desse projeto permitiria, segundo a explicação apresentada, libertar quilómetros atualmente realizados pelo transporte rodoviário em percursos mais longos e utilizá-los para aumentar a cobertura de zonas que hoje dispõem de menor oferta de transporte público.

Estudos já foram discutidos com a Câmara da Feira

Outro dado relevante é que o assunto não está limitado a estudos internos da estrutura metropolitana.

Segundo foi dito na Assembleia, as possibilidades em análise já foram objeto de conversações com autarcas e, especificamente, com o Executivo Municipal de Santa Maria da Feira. “É algo que está a ser conversado também com os autarcas e foi objeto de algumas conversas que já tivemos juntamente com o Executivo da Câmara Municipal da Feira", aifrmou o representante dos transportes da Área Metropolitana do Porto. 

Comboio ou BRT: decisão continua em aberto

A recuperação do corredor da Linha do Vouga está efetivamente na agenda metropolitana, mas o modo de transporte continua por definir, depois de décadas a discutir o assunto. 

Em cima da mesa estão duas possibilidades: a reativação ferroviária em bitola ibérica, recuperando a linha para circulação de comboios, ou uma solução BRT entre Oliveira de Azeméis e Espinho- 

Para o concelho, qualquer uma das opções representaria uma mudança estrutural face à atual dependência do transporte rodoviário e permitiria criar uma ligação de maior capacidade à Linha do Norte.

Por agora, porém, a AMP não anunciou prazos de execução, investimento previsto, traçado detalhado, localização de estações ou paragens, nem uma decisão definitiva sobre a tecnologia a escolher. O dado novo deixado na Assembleia é que a alternativa BRT está efetivamente a ser estudada e já está a ser discutida com os autarcas de Santa Maria da Feira.

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