2026/11/06
PSD, PS e Chega reagem ao alargamento do Metro do Porto ao sul da AMP. Socialistas exigem decisão em 2027 e Chega questiona investimentos na Linha do Vouga.
Os três partidos defendem a necessidade de melhorar as ligações entre Oliveira de Azeméis e o Porto, mas apresentam prioridades distintas. O PSD quer acelerar os estudos e valorizar a Linha do Vouga, o PS exige uma decisão durante 2027 e o Chega questiona os milhões investidos na ferrovia sem resolver os problemas de mobilidade.
O anúncio do Governo sobre a possibilidade de alargar a rede do Metro do Porto aos municípios do sul da Área Metropolitana do Porto (AMP) está a gerar uma convergência política em Oliveira de Azeméis. PSD, PS e Chega consideram positiva a perspetiva de melhorar as ligações à cidade do Porto, mas as reações dos três partidos revelam diferenças nas prioridades e nas exigências colocadas ao Executivo.
Em causa está o anúncio feito na quarta-feira, 4 de novembro, pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, sobre a realização de estudos para avaliar soluções de mobilidade que poderão abranger Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Santa Maria da Feira e Vale de Cambra. Uma das possibilidades em análise passa pelo aproveitamento do corredor ferroviário da Linha do Vouga.
Embora os três partidos reconheçam a importância de encontrar uma alternativa de transporte público mais competitiva para a região, as posições divulgadas evidenciam diferentes formas de encarar o futuro da infraestrutura ferroviária e os compromissos que deverão ser assumidos pelo Governo.
O PSD de Oliveira de Azeméis foi um dos primeiros partidos a reagir, saudando a intenção governamental de estudar o prolongamento do Metro do Porto.
Os sociais-democratas consideram que o projeto representa uma oportunidade para revitalizar uma infraestrutura histórica da região e proporcionar melhores condições de mobilidade às populações.
"É com bons olhos que vemos a vontade do Governo em revitalizar e dignificar uma das linhas mais icónicas do nosso território", refere a estrutura concelhia.
Apesar da satisfação, o PSD defende que os estudos devem avançar rapidamente, permitindo identificar uma solução que responda às necessidades dos habitantes do concelho e dos municípios vizinhos.
O partido considera essencial aproveitar esta oportunidade para devolver protagonismo à Linha do Vouga, defendendo que esta deve voltar a ocupar um lugar central nas prioridades de mobilidade da região.
O Partido Socialista coloca a pressão política num prazo concreto. Os socialistas defendem que o Governo deve concluir, durante 2027, a avaliação das alternativas de mobilidade entre Oliveira de Azeméis e o Porto e tomar uma decisão fundamentada sobre o sistema de transporte público a implementar.
O PS considera necessário ultrapassar a indefinição que se arrasta quanto ao futuro do corredor ferroviário, atualmente associado a diferentes possibilidades, incluindo o comboio convencional, o Metrobus e o metro de superfície.
No documento que estabelece esta posição, os socialistas defendem ser necessário "ultrapassar a fase de indefinição estratégica (Comboio, MetroBus ou Metro Superfície)", garantindo uma solução devidamente financiada e calendarizada.
Há, contudo, uma preocupação adicional: qualquer decisão sobre o aproveitamento do corredor ferroviário deverá salvaguardar a integridade e o desenvolvimento futuro da restante Linha do Vouga.
Ao contrário do PSD, que privilegia a rapidez dos estudos, o PS estabelece 2027 como horizonte para uma decisão política, embora sem fixar uma data para o início das obras.
O Chega, através dos seus eleitos na Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, também saudou o anúncio, mas adotou uma posição mais crítica relativamente aos investimentos realizados na Linha do Vouga.
O partido recorda que foram anunciados e executados investimentos de vários milhões de euros na reabilitação da infraestrutura ferroviária, sem que isso tenha permitido resolver a ausência de uma ligação rápida e competitiva entre Oliveira de Azeméis e o Porto.
"Não podemos confundir a reabilitação de uma infraestrutura ferroviária com a resolução do problema da mobilidade da nossa população", sustentam os eleitos municipais.
O Chega aponta ainda as limitações do atual percurso ferroviário, nomeadamente a necessidade de transbordo em Espinho para prosseguir viagem até ao Porto.
Para o partido, o eventual prolongamento do Metro deve garantir tempos de viagem competitivos, frequências adequadas e uma verdadeira integração na rede metropolitana.
"Não queremos apenas que Oliveira de Azeméis seja incluída nos estudos. Queremos que seja incluída nas decisões, nos investimentos e nas soluções concretas", afirmam os representantes do Chega.
O partido exige ainda um calendário de execução e fontes de financiamento identificadas, considerando que a região não pode continuar dependente de sucessivos anúncios sem resultados concretos.
Apesar das diferenças, as posições dos três partidos revelam uma preocupação comum: a necessidade de melhorar as ligações de transporte público entre os municípios do sul da AMP e o Porto.
O PSD valoriza a oportunidade de revitalização da Linha do Vouga e defende a aceleração dos estudos. O PS pretende uma decisão durante 2027 e exige garantias quanto ao futuro da restante infraestrutura ferroviária. O Chega questiona a eficácia dos investimentos realizados e exige que os novos estudos se traduzam em soluções concretas.
A discussão ultrapassa, contudo, os limites de Oliveira de Azeméis. O eventual prolongamento da rede metropolitana poderá ter impacto direto na mobilidade de São João da Madeira, Santa Maria da Feira e Vale de Cambra, municípios que também enfrentam dificuldades nas ligações de transporte público ao Porto.
Para já, o Governo anunciou a intenção de estudar as alternativas, mas ainda não existe uma decisão definitiva sobre o modelo de transporte, o traçado, o investimento necessário ou os prazos de execução.
A principal questão continua, por isso, sem resposta: será a Linha do Vouga modernizada para manter o comboio convencional ou poderá o seu corredor dar lugar a uma solução de metro de superfície ou Metrobus?
É esta decisão que os partidos pretendem agora ver esclarecida, embora com prioridades e exigências distintas