2026/07/29
Santa Maria da Feira Espinho São João da Madeira
Serviços de bicicletas e trotinetes partilhadas terminam em dois concelhos das Terras de Santa Maria, enquanto Santa Maria da Feira mantém a aposta através de uma nova concessão.
Os serviços de bicicletas e trotinetas elétricas partilhadas registaram evoluções diferentes em Espinho, Oliveira de Azeméis e Santa Maria da Feira. Em Oliveira de Azeméis, a operadora terminou a atividade por falta de rentabilidade. Em Espinho, o Município determinou a retirada dos veículos após o fim do protocolo com a empresa. Em Santa Maria da Feira, a autarquia lançou um novo concurso para concessionar a exploração do serviço por três anos.
O serviço de bicicletas e trotinetas partilhadas começou a funcionar em Oliveira de Azeméis em dezembro de 2024, no âmbito de um projeto-piloto desenvolvido por uma empresa privada e sem custos para o Município.
A empresa responsável terminou a operação depois de concluir que o serviço não era rentável. A decisão foi comunicada à Câmara Municipal e ocorreu ainda durante o período previsto para a experiência-piloto. A data exata do fim da exploração não foi divulgada.
O esclarecimento foi prestado pelo vereador Hélder Simões durante uma reunião da Câmara Municipal, depois de Manuel Almeida, vereador eleito pelo CHEGA, ter questionado o desaparecimento dos veículos e solicitado um balanço do projeto.
Manuel Almeida pediu a divulgação dos números de utilização, dos resultados alcançados e da data em que a empresa abandonou o serviço. Questionou ainda o número de reclamações relacionadas com o estacionamento indevido ou abandono dos veículos, bem como os acidentes registados durante o período de funcionamento.
Durante a operação foram denunciadas situações de bicicletas e trotinetas deixadas em passeios, espaços verdes e parques de estacionamento, com efeitos na circulação pedonal e na organização do espaço público.
Em Espinho, o protocolo com a empresa Byrd tinha sido assinado em 2022. Ao abrigo desse acordo, foram disponibilizadas cerca de 200 bicicletas e trotinetas, que podiam ser utilizadas mediante o pagamento de um euro.
O protocolo terminou em 26 de março de 2026. Apesar do fim do acordo, os veículos permaneceram na via pública, levando a Câmara Municipal a notificar a empresa para proceder à sua retirada até 31 de julho de 2026.
A autarquia informou que, caso a empresa não retirasse os equipamentos dentro do prazo, os serviços municipais poderiam avançar com a recolha coerciva. Os custos do transporte, recolha, parqueamento e restantes encargos seriam imputados à operadora.
O Município justificou a medida com a permanência desordenada dos veículos em passeios e outros espaços públicos. Segundo a Câmara, a situação condicionava a passagem de peões, pessoas com mobilidade reduzida, utilizadores de cadeiras de rodas e famílias com carrinhos de bebé.
A retirada dos equipamentos foi enquadrada pela autarquia nas medidas de gestão e valorização do espaço público, destinadas a melhorar a circulação pedonal, a segurança e a acessibilidade.
Em Santa Maria da Feira, o Município lançou, no final de novembro de 2025, um novo concurso para a concessão da utilização privativa do domínio público municipal destinada à instalação e operação de serviços de partilha de modos suaves de transporte.
O novo contrato deveria começar no início de 2026 e teria uma duração de três anos. A empresa vencedora ficaria com a exclusividade da exploração do serviço até 2029.
A Bird tinha explorado nos anos anteriores a atividade de partilha de bicicletas e trotinetas elétricas no concelho. Para esse serviço tinham sido criados 39 locais de recolha e partilha.
O concurso fixou uma contrapartida mínima de 1.500 euros, acrescida de IVA, correspondendo a pelo menos 1.845 euros durante os três anos do contrato. O valor deveria ser atualizado no final de cada ano, de acordo com a variação média do Índice de Preços no Consumidor, excluindo a habitação.
O contrato identificava como possíveis pontos de partilha 15 espaços adjacentes a ciclovias, 164 localizações em passeios, 17 lugares de estacionamento automóvel e 16 espaços sobrantes junto de zonas de estacionamento.
Em Oliveira de Azeméis, a atividade terminou por decisão da empresa operadora, que considerou o serviço não rentável.
Em Espinho, o protocolo municipal cessou em março de 2026 e a Câmara determinou a retirada das bicicletas e trotinetas que continuavam no espaço público.
Em Santa Maria da Feira, o Município avançou com um novo procedimento para concessionar a exploração do serviço durante três anos, mediante o pagamento de uma contrapartida financeira e com exclusividade para a empresa vencedora.