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Região de Terras de Santa Maria

2026/10/14

Depois da revelação do REGIÃO TERRAS DE SANTA MARIA, PCP rejeita Metrobus e mudança de bitola na Linha do Vouga

Santa Maria da Feira Oliveira de Azeméis São João da Madeira

Comunistas reagem às alternativas para o futuro da ferrovia divulgadas pelo nosso jornal e alertam para o risco de destruição da linha. Partido considera ainda inaceitável um prazo de 15 a 20 anos para concretizar o projeto.

A informação avançada em primeira mão pelo REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA, sobre as duas soluções em estudo para o futuro da Linha do Vouga, continua a provocar reações. Depois do Movimento Cívico pela Linha do Vouga, é agora a Direção da Organização Regional de Aveiro do PCP a manifestar oposição às hipóteses de transformação do corredor ferroviário num sistema BRT (Metrobus) ou de conversão da atual bitola métrica para bitola ibérica.

+ Ler artigo: Linha do Vouga. Solução tipo “metro de superfície” em estudo para ligar Oliveira de Azeméis a Espinho

"A Linha do Vouga não é para destruir!", afirma o PCP, num comunicado divulgado na sequência das informações tornadas públicas pelo nosso jornal, em que exige esclarecimentos urgentes sobre o futuro da infraestrutura ferroviária que serve os concelhos de Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Santa Maria da Feira e Espinho.

Foi no dia 29 de setembro que o REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA revelou a existência de estudos para duas soluções distintas para o corredor da Linha do Vouga. A novidade surgiu durante uma audição dos responsáveis da Área Metropolitana do Porto (AMP) e dos Transportes Metropolitanos do Porto (TMP) na Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira.

Na ocasião, Nuno Sousa, presidente do Conselho de Administração da TMP, confirmou que estavam a ser estudadas a adaptação da ferrovia à bitola ibérica e a implementação de um sistema BRT entre Oliveira de Azeméis e Espinho, passando por Santa Maria da Feira.

"Há uma série de estudos que estão a ser feitos, seja para reativar a Linha do Vouga em bitola ibérica, seja um projeto de BRT que vai ligar Oliveira de Azeméis-Espinho, passando também aqui pela Feira", afirmou o responsável, esclarecendo que ainda não existe uma solução escolhida.

 

A revelação originou uma primeira reação do Movimento Cívico pela Linha do Vouga, que acusou os estudos de colocarem as populações perante uma escolha entre o "mau" e o "pior". Agora, o PCP junta-se à contestação, defendendo a manutenção da atual bitola métrica e a modernização integral da linha.

Metrobus seria, para o PCP, o fim da Linha do Vouga

No comunicado, os comunistas são particularmente críticos da possibilidade de transformar o corredor ferroviário num sistema BRT, uma solução baseada em autocarros de elevada capacidade que circulam em vias dedicadas.

Para o PCP, esta alternativa significaria abandonar a infraestrutura ferroviária e comprometer as ligações entre os concelhos atravessados pela Linha do Vouga.

"Um projecto em BRT (vulgo Metrobus), na realidade um autocarro em canal dedicado, corresponde na prática à destruição da Linha do Vouga", sustenta o partido.

Os comunistas consideram que esta opção representaria mais um passo no processo de desvalorização da ferrovia nacional e colocaria em causa as ligações das populações ao Porto e a Aveiro.

Mudança para bitola ibérica poderia obrigar a demolir casas

A outra alternativa em estudo, que prevê a conversão da atual bitola métrica para bitola ibérica, também é rejeitada pelo PCP.

O partido alerta que a alteração da distância entre carris obrigaria a uma transformação profunda do perfil da linha, com investimentos elevados e impactos significativos nos territórios atravessados.

Entre as consequências apontadas pelos comunistas estão alterações na localização de estações, intervenções em passagens de nível e possíveis demolições de habitações nos concelhos de Espinho, Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Oliveira de Azeméis.

Na avaliação do PCP, estas intervenções poderiam provocar constrangimentos consideráveis para as populações, sem que os ganhos de tempo de viagem justificassem a dimensão do investimento necessário.

O partido defende, em alternativa, que a infraestrutura existente tem condições para ser modernizada, através da eletrificação em bitola métrica, da aquisição de material circulante e do aumento da frequência dos comboios.

"O projecto mais importante" não pode esperar 20 anos

Outro dos pontos contestados pelo PCP está relacionado com o horizonte temporal discutido na Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira.

Na sessão que esteve na origem da notícia do REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA, os responsáveis metropolitanos foram confrontados com as necessidades de mobilidade do sul da Área Metropolitana do Porto num horizonte de 15 a 20 anos.

Nuno Sousa considerou a transformação do corredor da Linha do Vouga uma das intervenções estruturantes para a região, chegando a classificá-la como o projeto mais importante e impactante para o sul da Área Metropolitana.

O PCP contesta a possibilidade de uma solução para a infraestrutura apenas se concretizar num horizonte tão distante.

"O mais importante e impactante projecto no sul da Área Metropolitana não pode esperar 15 a 20 anos para ser concluído", afirma o partido.

Para os comunistas, insistir em alternativas que exigiriam intervenções de grande dimensão poderá significar o adiamento de investimentos que consideram urgentes.

Importa, contudo, salientar que os responsáveis da AMP e da TMP não anunciaram ainda um calendário definitivo para a execução de qualquer das soluções em estudo.

PCP quer reabrir ligação entre Oliveira de Azeméis e Sernada do Vouga

O PCP critica igualmente a forma como o futuro da Linha do Vouga está a ser discutido, considerando que a infraestrutura não pode ser reduzida à ligação entre Oliveira de Azeméis e Espinho.

Os comunistas recordam que a Linha do Vouga e o Ramal de Aveiro integram uma rede ferroviária de cerca de 96 quilómetros entre Espinho e Aveiro e que o sistema chegou historicamente a ligar Espinho, Viseu e Aveiro, numa extensão de 177 quilómetros.

Para o partido, a modernização deve considerar toda a dimensão regional desta infraestrutura e não apenas a sua função de ligação à Área Metropolitana do Porto.

O PCP admite que possam existir soluções diferenciadas para determinados troços, mas considera fundamental preservar a continuidade da rede ferroviária.

Uma das principais reivindicações passa pela reabertura do troço entre Oliveira de Azeméis e Sernada do Vouga, permitindo recuperar a ligação ferroviária entre as duas localidades e reforçar as deslocações no distrito de Aveiro.

Linha do Norte também preocupa os comunistas

O PCP questiona igualmente a estratégia de encaminhar mais passageiros da Linha do Vouga para a Linha do Norte, através de transbordo em Espinho.

Segundo os comunistas, a Linha do Norte já enfrenta problemas de saturação, com comboios sobrelotados, frequências consideradas insuficientes e atrasos.

O partido considera que qualquer projeto destinado a aumentar o número de passageiros naquela infraestrutura deve ter em conta as limitações existentes.

O comunicado critica ainda o adiamento da construção da Linha de Alta Velocidade entre Porto e Lisboa, que o PCP associa aos problemas estruturais da rede ferroviária nacional, manifestando também oposição à sua concretização através de uma parceria público-privada.

PCP apresenta nove medidas para modernizar a ferrovia

Em vez das duas soluções atualmente em estudo, o PCP defende uma intervenção na Linha do Vouga existente, apresentando nove medidas que considera prioritárias.

Entre as reivindicações estão a revisão integral da via-férrea, a reabertura da ligação entre Oliveira de Azeméis e Sernada do Vouga e a reabilitação e modernização das estações ferroviárias.

O partido pretende igualmente melhorias na eficiência e segurança das passagens de nível, a alteração da localização de alguns apeadeiros e a automatização dos sistemas de bilhética.

Outra das propostas passa por garantir melhores condições de transbordo na Estação de Espinho, permitindo aos passageiros da Linha do Vouga aceder à Linha do Norte com maior comodidade e segurança.

O PCP defende ainda a modernização das composições, o aumento da frequência dos comboios e a eletrificação da Linha do Vouga em toda a sua extensão.

PCP manifesta dúvidas sobre investimento de 100 milhões de euros

Na parte final do comunicado, os comunistas recordam que o planeamento nacional de investimentos ferroviários contempla, segundo o partido, uma verba de 100 milhões de euros para a requalificação e eletrificação da Linha do Vouga.

Apesar disso, o PCP manifesta dúvidas sobre a concretização do investimento nos moldes que considera mais adequados às necessidades das populações.

"É cada vez mais duvidoso que o Governo venha de facto a concretizar este projecto nos termos que melhor servem as populações", refere o comunicado.

O partido reafirma que continuará a acompanhar o processo e apela à mobilização das populações para defender a continuidade da infraestrutura ferroviária.

Revelação do REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA coloca futuro da ferrovia no debate público

A reação do PCP constitui mais um desenvolvimento da discussão iniciada com a informação avançada pelo REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA, em 29 de setembro.

Até à divulgação das declarações dos responsáveis metropolitanos, não era publicamente conhecida, nos termos agora apresentados, a existência de estudos que incluíam uma solução BRT para o corredor da Linha do Vouga entre Oliveira de Azeméis e Espinho.

A notícia do nosso jornal trouxe para o debate público a possibilidade de uma transformação profunda da infraestrutura, motivando, numa primeira fase, uma reação do Movimento Cívico pela Linha do Vouga e, agora, uma tomada de posição da estrutura regional do PCP.

As duas organizações convergem na defesa da manutenção e modernização da atual ferrovia em bitola métrica, rejeitando a substituição por um sistema rodoviário dedicado e manifestando reservas quanto à conversão para bitola ibérica.

Apesar da contestação, o futuro da Linha do Vouga permanece em aberto. A AMP e a TMP confirmaram que existem estudos em curso, mas ainda não anunciaram qualquer decisão definitiva sobre a solução a adotar.

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