2026/05/26
Santa Maria da Feira Transparência
Contrato revela que o município liderado por Amadeu Albergaria pagou 8.500 euros pela apresentação de “MAMIL(a)S”, performance que envolveu 30 voluntários de rosto coberto.
A performance MAMIL(a)S, apresentada no âmbito do Imaginarius, em Santa Maria da Feira, custou 8.500 euros ao Município. O valor consta do contrato publicado no Portal BASE, referente ao espetáculo integrado na programação do festival de artes performativas em espaço público.
O contrato identifica a prestação como “Espetáculo ‘MAMIL(a)S’ – Imaginarius 2026” e aponta como adjudicatário Leandro Henrique Brasilio dos Santos, do Brasil. A contratação foi feita pelo Município de Santa Maria da Feira e publicada no portal oficial dos contratos públicos.
A iniciativa ganhou projeção pública pelo conceito invulgar: a organização procurou 30 voluntários, maiores de idade, para participarem numa ação coletiva no centro histórico da cidade, com o corpo e o rosto cobertos, deixando visíveis apenas os mamilos. Segundo a apresentação oficial do projeto, a performance pretende questionar a forma desigual como a exposição do corpo é interpretada no espaço público, em particular quando associada ao corpo feminino.
A performance é uma criação da companhia brasileira Desvio Coletivo e foi apresentada como uma intervenção urbana sobre o direito ao corpo e à cidade. O projeto integrou a programação do Imaginarius e envolveu participantes com ou sem experiência artística, num processo que incluiu momentos de reflexão, preparação e reconhecimento do percurso.
Além da apresentação pública, o programa incluiu sessões preparatórias destinadas aos voluntários que integraram a performance. De acordo com a informação divulgada pelo Imaginarius, essas sessões abordaram temas como presença, exposição, limites, ação coletiva, confiança, coordenação e relação com o olhar do público.
A apresentação de MAMIL(a)S ocorreu num contexto de programação cultural marcada pela intervenção artística e pela provocação social. Ainda assim, a publicação do contrato no Portal BASE coloca o debate também no plano da utilização de verbas públicas em projetos culturais de caráter performativo e experimental.