2026/06/24
Câmara de São João da Madeira contratou sistemas de projeção digital para três equipamentos culturais municipais, num investimento que ganha relevância face ao encerramento das salas do 8.ª Avenida.
A Câmara Municipal de São João da Madeira vai investir 266.539 euros, acrescidos de IVA, na aquisição de sistemas de projeção digital de cinema para três equipamentos culturais do concelho: a Casa da Criatividade, os Paços da Cultura e o Centro de Arte Oliva.
O investimento ganha particular relevância num momento em que a cidade continua sem salas de cinema em funcionamento no 8.ª Avenida, encerradas desde janeiro. Embora o contrato municipal não faça qualquer referência direta ao centro comercial, a instalação de equipamentos de projeção digital em espaços culturais públicos pode representar uma resposta alternativa para garantir condições técnicas de exibição cinematográfica em S. João da Madeira.
O contrato tem como objeto o fornecimento, instalação, configuração, calibração, formação e assistência técnica de sistemas de vídeo, imagem e tecnologia. A designação do procedimento refere expressamente a aquisição de sistemas de DCP — Digital Cinema Package, tecnologia utilizada na projeção cinematográfica digital profissional.
O investimento está dividido em três lotes. Para a Casa da Criatividade, correspondente ao lote 2, está previsto o valor de 86.190 euros. Para os Paços da Cultura, abrangidos pelo lote 3, o contrato prevê 83.662 euros. Já o Centro de Arte Oliva, no lote 4, representa o maior montante, com 96.687 euros.
A empresa contratada é a NAN Audiovisuais – Representação e Distribuição de Equipamentos Audiovisuais, Lda., com sede em Ovar. O contrato estabelece um prazo máximo de 90 dias, a contar da data da outorga, para a conclusão do fornecimento, instalação, configuração, calibração e formação técnica associada aos equipamentos.
O encerramento dos cinemas do 8.ª Avenida tem marcado a atualidade cultural e de lazer em S. João da Madeira. Segundo noticiou o jornal Região de Terras de Santa Maria, as salas estão encerradas desde janeiro e continuam sem solução definida, apesar de a autarquia estar a desenvolver contactos com os proprietários do centro comercial e com potenciais operadores interessados na exploração do espaço.
O município reconhece não poder impor diretamente a reabertura das salas, por se tratar de um equipamento de gestão privada, mas tem invocado instrumentos ao seu alcance, incluindo o contrato inicial associado à cedência do terreno, que prevê a existência obrigatória de salas de cinema. O executivo municipal admitiu ainda a possibilidade de reconfigurar o modelo das salas, ajustando dimensão e conceito à realidade atual do setor cinematográfico.
Neste contexto, a aquisição de sistemas de projeção digital para três equipamentos culturais municipais assume um peso acrescido. Não resolve, por si só, o impasse das salas privadas do 8.ª Avenida, mas pode permitir ao município criar ou reforçar uma programação cinematográfica em espaços públicos, reduzindo o impacto da ausência de cinema comercial na cidade.
O investimento integra o projeto RE-C04-i01 — Redes Culturais e Transição Digital, no âmbito da medida C04-i01-m01 — Modernização da infraestrutura tecnológica da rede de equipamentos culturais, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência — PRR.
Na prática, a intervenção permitirá dotar a Casa da Criatividade, os Paços da Cultura e o Centro de Arte Oliva de melhores condições técnicas para projeção digital de cinema, ciclos cinematográficos, programação audiovisual e outros eventos que exijam sistemas profissionais de imagem e vídeo.
A autorização da despesa e a escolha do procedimento por Concurso Público Internacional foram aprovadas por despacho do presidente da Câmara Municipal em 9 de fevereiro de 2026. Já o fornecimento e prestação de serviços foram adjudicados por despacho de 29 de maio de 2026.
Com este investimento, São João da Madeira prepara três equipamentos culturais municipais para responder às exigências técnicas da projeção digital. A decisão surge numa fase particularmente sensível para a oferta cinematográfica local, marcada pela incerteza em torno do futuro das salas do 8.ª Avenida e pela necessidade de garantir alternativas culturais à população.