2026/10/09
Sete meses após ter sido adquirida pelos próprios gestores, a empresa encerra a produção e deixa 310 trabalhadores sem emprego.
A Schmidt Light Metal chegou mesmo ao fim da linha. Nem a compra da empresa pelos próprios gestores, há apenas sete meses, foi suficiente para salvar uma atividade industrial com 37 anos de história em Oliveira de Azeméis. O golpe final, apurou o REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA, já foi comunicado aos trabalhadores: a produção está a terminar e 310 pessoas deverão ficar no desemprego no início de dezembro.
Sete meses depois de ter sido comprada por 8,5 milhões de euros pela própria equipa de gestão – Marc Schmidt, Carlos Pais e Daniela Alegria, a histórica empresa de Oliveira de Azeméis prepara-se para terminar a atividade produtiva. Os trabalhadores já foram informados da decisão e deverão ficar desempregados no início de dezembro. Entre máquinas avaliadas em milhões de euros e décadas de conhecimento industrial, ainda há quem acredite que poderá nascer um novo projeto.
A Schmidt Light Metal, uma das históricas empresas da indústria automóvel de Oliveira de Azeméis, prepara-se para deixar 310 trabalhadores no desemprego. A informação foi apurada pelo REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA, que sabe que os novos responsáveis pela empresa, adquirida em março deste ano por 8,5 milhões de euros, não conseguiram assegurar a continuidade da atividade industrial. A produção está a chegar ao fim e as últimas peças estão a ser fabricadas.
A decisão já foi comunicada aos trabalhadores, alguns dos quais deixaram entretanto de exercer funções nas instalações industriais de Santiago de Riba-Ul. Apesar de já não estarem a trabalhar, os funcionários deverão manter o vínculo laboral durante mais dois meses, até ao início de dezembro, altura em que se prevê a passagem à situação de desemprego.
O desfecho representa um duro golpe para o tecido económico e social de Oliveira de Azeméis e contrasta com as expectativas criadas em março, quando a aquisição da empresa pela própria equipa de gestão foi apresentada como a solução para assegurar a continuidade da produção e preservar os postos de trabalho.
A dimensão do impacto poderá, contudo, não se esgotar nos 310 trabalhadores agora abrangidos pela decisão. O final do ano poderá trazer um agravamento dos números do desemprego no concelho, embora exista a possibilidade de outras empresas da região absorverem parte dos profissionais que vão ficar disponíveis no mercado de trabalho.
A situação atual contrasta com o cenário apresentado há apenas sete meses. A 4 de março de 2026, a Schmidt Light Metal foi adquirida pela própria equipa de gestão, numa operação de 8,5 milhões de euros que envolveu três empresas do grupo industrial.
O negócio, conhecido como Management Buy Out (MBO), foi protagonizado pelo gerente Marc Schmidt, pelo consultor Carlos Pais e pela diretora financeira Daniela Alegria. Na altura, o administrador judicial, Jorge Calvete, anunciou que a operação tinha sido concretizada com as empresas em funcionamento e sem despedimentos decorrentes da aquisição.
O plano aprovado pelos credores previa a manutenção de 363 postos de trabalho e apresentava a continuidade da atividade como uma solução mais vantajosa do que a liquidação dos ativos industriais.
A realidade alterou-se em poucos meses. Segundo as informações recolhidas pelo azeméis.net, os novos gestores não conseguiram reunir condições para manter a produção, tendo comunicado aos trabalhadores o fim da atividade.
Desconhecem-se, para já, os motivos concretos que determinaram esta decisão, nomeadamente se estará relacionada com a evolução das encomendas, com os custos de produção ou com dificuldades financeiras e operacionais.
A Schmidt Light Metal tinha sido declarada insolvente em março de 2025, depois de acumular dificuldades financeiras que colocaram em causa a continuidade de uma atividade industrial iniciada em 1989.
Quando a venda foi concretizada, em março de 2026, o administrador judicial revelou que as três empresas do grupo acumulavam um passivo total de 94 milhões de euros.
A operação de aquisição por 8,5 milhões de euros foi aprovada no âmbito do processo de insolvência, estando previsto que a totalidade daquele passivo não transitasse para os novos proprietários.
A empresa, especializada no fabrico de componentes de alumínio por fundição injetada para a indústria automóvel, tinha uma forte dependência do grupo Volkswagen, identificado como praticamente o seu único cliente.
Durante o processo de insolvência, a continuidade das encomendas daquele fabricante automóvel foi considerada fundamental para manter a atividade industrial e preservar os postos de trabalho.
A solução encontrada permitiu que a empresa continuasse a produzir, mas revelou-se insuficiente para garantir a sua sobrevivência a médio prazo.
O fim da produção não significa, necessariamente, o desaparecimento de toda a capacidade industrial instalada.
Fontes ouvidas pelo REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA destacam o valor do equipamento que permanece no interior das instalações da Schmidt Light Metal. Trata-se, segundo os testemunhos recolhidos, de maquinaria industrial tecnologicamente avançada, cuja avaliação poderá ascender a vários milhões de euros.
Algumas das fontes consideram mesmo que será difícil encontrar no mercado equipamentos com características e níveis de qualidade semelhantes aos existentes na unidade de Oliveira de Azeméis.
O parque industrial representa, por isso, um dos principais ativos da empresa, não apenas pelo investimento realizado ao longo dos anos, mas também pela capacidade tecnológica associada à produção de componentes para a indústria automóvel.
Para já, não é conhecido o destino que será dado a estas máquinas, nem se existe alguma operação em preparação para a sua venda ou reutilização.
A preservação dos equipamentos poderá, no entanto, assumir particular importância caso venha a surgir um novo projeto industrial interessado em aproveitar a infraestrutura existente.
Apesar da perspetiva de desemprego, entre os trabalhadores ainda subsiste a esperança de que o encerramento da atual atividade não represente o fim definitivo da história industrial da Schmidt Light Metal.
Segundo informações recolhidas pelo REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA, existe a expectativa de que possa surgir uma nova empresa, capaz de iniciar um projeto de raiz e aproveitar parte dos recursos e das competências que permanecem associados à unidade fabril.
A possibilidade é encarada como uma alternativa para dar continuidade aos percursos profissionais de trabalhadores que, em muitos casos, acumularam experiência e conhecimentos especializados na produção de componentes destinados à indústria automóvel.
A existência de equipamentos de elevado valor, associada à experiência da mão de obra, constitui um potencial ponto de partida para uma nova atividade industrial.
Não existe, contudo, confirmação de qualquer projeto empresarial formalizado, nem garantias de que uma eventual nova estrutura possa assegurar a manutenção dos postos de trabalho.
Por enquanto, trata-se de uma esperança que acompanha os trabalhadores numa fase marcada pela incerteza quanto ao futuro profissional.
A saída de 310 trabalhadores do mercado de trabalho representa um impacto significativo para Oliveira de Azeméis, um concelho com forte tradição industrial e uma presença expressiva de empresas ligadas aos setores metalúrgico, metalomecânico e automóvel.
O efeito poderá fazer-se sentir de forma mais acentuada no final do ano, quando os vínculos laborais atualmente existentes chegarem ao fim.
Ainda assim, existe a possibilidade de parte dos trabalhadores encontrar novas oportunidades profissionais no tecido empresarial do concelho e dos municípios vizinhos, onde existem atividades industriais que poderão beneficiar da experiência e das qualificações destes profissionais.
Essa capacidade de absorção será determinante para avaliar a dimensão efetiva do impacto social provocado pelo encerramento da atividade.
Fundada em 1989, a Schmidt Light Metal construiu, ao longo de 37 anos, uma história ligada ao desenvolvimento industrial de Oliveira de Azeméis e à produção de componentes para alguns dos principais fabricantes automóveis europeus.
Agora, depois de uma insolvência, de um processo de recuperação e de uma aquisição pela própria equipa de gestão, aproxima-se do fim de um ciclo industrial.
Para os 310 trabalhadores que deverão ficar desempregados em dezembro, a principal preocupação é encontrar uma alternativa profissional. Mas, entre as máquinas que permanecem nas instalações e o conhecimento acumulado durante décadas, mantém-se a esperança de que a história possa ainda conhecer um novo capítulo.