2026/05/08
Falta de urgência 24 horas voltou ao debate político em Vale de Cambra. Mas afinal os cidadãos são realmente obrigados a sair do concelho para ter acesso a cuidados de saúde?
A falta de respostas na saúde voltou a marcar a última sessão da Assembleia Municipal de Vale de Cambra. Durante o debate, o deputado Albino Almeida, líder da bancada do PS, afirmou que muitos valecambrenses continuam obrigados a sair do concelho para obter cuidados médicos, sobretudo em situações urgentes e hospitalares. Mas será esta afirmação totalmente verdadeira?
O REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA foi analisar o que foi efetivamente dito na reunião e qual é a realidade atual da resposta de saúde existente em Vale de Cambra.
O concelho dispõe atualmente de centro de saúde, polos de saúde em freguesias e consultas de cuidados primários. Durante a Assembleia Municipal, o presidente da câmara, André Martins, referiu que o município mantém cobertura de médico de família para a população registada e destacou investimentos em curso superiores a 1,3 milhões de euros na área da saúde.
Segundo o autarca, está em execução uma obra de cerca de 800 mil euros no centro de saúde e decorrem também investimentos em polos de atendimento nas freguesias. Foram ainda anunciadas novas valências, incluindo fisioterapia, reabilitação, colheitas, medicina dentária e podologia.
No entanto, durante a mesma sessão, o executivo admitiu que o concelho continua sem conseguir garantir um serviço de urgência a funcionar 24 horas por dia. O presidente da câmara reconheceu mesmo que “era melhor para todos e queremos muito que houvesse um serviço disponível 24 horas por dia, mas até ao momento ainda não foi possível”.
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Na prática, isto significa que os valecambrenses continuam dependentes de unidades hospitalares fora do concelho para: urgências hospitalares permanentes; internamentos; especialidades médicas hospitalares; cirurgias; exames diferenciados.
A principal referência continua a ser o hospital de Santa Maria da Feira, integrado na Unidade Local de Saúde Entre Douro e Vouga.
Ou seja, a afirmação de que os cidadãos “são obrigados a sair do concelho para cuidados médicos” é parcialmente verdadeira. Para cuidados hospitalares diferenciados e situações de urgência permanente, isso corresponde à realidade atual. No entanto, não é correto afirmar que Vale de Cambra não possui qualquer resposta de saúde, já que existem cuidados primários, consultas e serviços médicos em funcionamento no território.
A comparação com Arouca foi também utilizada durante o debate político. O deputado socialista referiu que Arouca conseguiu reforçar respostas através de investimentos e novas soluções na saúde, defendendo que Vale de Cambra continua em desvantagem no acesso a cuidados de proximidade.
A saúde deverá continuar a dominar o debate político local nas próximas semanas, depois de a própria Assembleia Municipal ter admitido avançar para uma sessão temática dedicada exclusivamente ao tema.
A afirmação é verdadeira quando se refere a urgências hospitalares e cuidados diferenciados, mas é imprecisa se for interpretada como ausência total de serviços de saúde no concelho.