2026/03/18
Carta Municipal de Habitação prevê a construção de 803 novas casas urbanas em Vale de Cambra até 2035, enquanto algumas freguesias poderão registar redução habitacional.
A câmara municipal de Vale de Cambra discutiu, em reunião do executivo municipal, as previsões da Carta Municipal de Habitação, documento estratégico que orienta a política de habitação do concelho para os próximos anos. Entre os dados apresentados, destaca-se a previsão de 803 novas habitações na zona urbana até 2035, ao mesmo tempo que se antecipa uma redução do parque habitacional nas freguesias mais periférica.
O tema surgiu no âmbito de um debate mais alargado sobre a evolução demográfica do concelho e a estratégia municipal para responder às necessidades habitacionais da população. Durante a reunião, vereadores da oposição questionaram a forma como o documento concilia o objetivo político de combater a desertificação das zonas mais altas do concelho com uma estratégia que concentra o crescimento habitacional sobretudo nos centros urbanos.
De acordo com os dados apresentados no estudo, a projeção aponta para um concelho com cerca de 21.100 habitantes em 2035, valor próximo da população registada nos Censos de 2021. A Carta Municipal de Habitação assume que o crescimento da procura de habitação estará mais relacionado com a redução da dimensão média dos agregados familiares do que com um aumento significativo da população.
Outro dado referido durante a reunião indica que existem atualmente cerca de 1.438 alojamentos vagos no concelho, o que levanta dúvidas sobre a real dimensão da carência habitacional. Alguns vereadores sublinharam, no entanto, que muitos destes imóveis podem não reunir condições de habitabilidade ou não estar disponíveis para arrendamento, o que limita a sua utilização como resposta imediata à procura de habitação.
A questão do acesso ao arrendamento foi também abordada, tendo sido levantadas preocupações sobre o aumento dos preços e a dificuldade de muitas famílias em encontrar habitação a valores acessíveis. Nesse contexto, foi sugerida a criação de um regulamento municipal de apoio ao arrendamento, que permita estabelecer critérios claros para a atribuição de apoios e ampliar o acesso a este tipo de medidas.
Apesar das dúvidas levantadas, o executivo reconheceu que a Carta Municipal de Habitação constitui um instrumento importante de planeamento, permitindo identificar tendências demográficas, necessidades habitacionais e possíveis estratégias de intervenção pública e privada no mercado de habitação.
A discussão deixou claro que um dos principais desafios para o concelho será equilibrar o desenvolvimento urbano com a revitalização das freguesias mais periféricas, evitando o agravamento das desigualdades territoriais e garantindo que as políticas de habitação contribuam para a fixação de população em todo o território municipal.